Nota da Ação Revolucionária Estudantil, sobre as perseguições políticas no Rio de Janeiro.

Após 4 anos das prisões expedidas no final da Copa do Mundo sediada no Brasil em 2014, 23 ativistas foram sentenciados a penas que variam de 5 anos e 10 meses a 13 anos. A notícia foi recebida no dia 17 de julho de 2018, em uma jogada maldosa, aproveitando-se da aproximação do período das eleições burgueses e da consequente atenção que esse assunto atrai.

Com uma sentença rasa e genérica, praticamente igual para todos os acusados, o martelo foi batido por Flávio Itabaiana, juiz do caso desde o ano de 2014. O processo que embasa a perseguição é construído por arbitrariedades típicas de um governo antidemocrático. Conta com infiltrados ilegais, advogados grampeados, pessoas levadas coercitivamente sem mandato, invasões de residências e utilização de praticamente um único depoimento dado por um infiltrado ilegal para basear todo o inquérito. Não deixaram margem para que ficasse dúvida sobre o caráter político do processo, onde se julgou subversivo até mesmo a escolha do sistema operacional “Linux” por alguns dos ativistas processados, até mesmo o anarquista Bakunin, morto desde o século XIX ,foi tido como procurado.

Conhecemos nossos inimigos e sabemos do que se tratou e do que ainda hoje se trata esse processo. 2013 representou a devolução de um sentimento coletivo que o povo já não reconhecia mais: a sensação de poder tomar as rédeas do próprio destino e compreender o que de fato trata-se uma democracia. A consequência desse ano de revolta foram ruas e praças ocupadas, assembleias públicas, escolas tomadas por jovens politizados, representando toda uma nova geração de seres políticos e ativos que não mais serviriam de atores apáticos e passivos de uma democracia de faixada.

Temos ciência de que, diante desse despertar popular, é preciso construir a imagem do inimigo interno terrorista, demonizá-lo, transformá-lo em um estereótipo de perigo que precisa ser denunciado pela própria sociedade e entregue ao Estado para ser morto e/ou encarcerado. Sabemos também que o governo que deu início a essa perseguição viveu o fantasma do medo de ter perdido o controle da revolta popular em um momento crucial para uma nova alvorada neoliberal que estava posta; e que hoje resulta na retirada de direitos conquistados pelos trabalhadores nos últimos séculos. Sabemos que hoje, mais do que ontem, é preciso garantir que exista precedente para a criminalização dos movimentos sociais que representam um empecilho a livre ação de um governo que não está mais preocupado em se fantasiar de progressista e, portanto, fará o que for preciso para salvar a própria pele. Precisamos fazer o mesmo: nos unir, nos proteger, garantir a nossa própria sobrevivência e um porvir melhor e justo que só será possível em um novo mundo que precisamos e iremos construir.

Sabemos que uma revolução está em curso e que essa perseguição é consequência de ações políticas concretas. Porque quando um povo perde o medo, é preciso criar artifícios para devolver esse medo. Mas não podemos nos enganar, ainda existe muito a fazer e precisamos impedi-los de legitimar, mais uma vez, uma ditadura, que dessa vez não está fardada. Precisamos lembrar que nenhum governo ditatorial jamais admitiu sê-lo, portanto é preciso denunciar; é preciso falar; é preciso conversar sobre isso nas filas e praças; é preciso organizar para combater e garantir que possamos ainda caminhar em direção a um outro mundo: melhor e mais justo.

Nós da AR manifestamos em nota não apenas o nosso apoio, mas também a convicção na idoneidade política e moral de todos aqueles que ousaram lutar e hoje estão recebendo a vingança de duas gerações de governos temerosos por suas governanças frágeis e em plena crise de legitimidade.
Portanto garantimos que permaneceremos de pé e em luta constante contra todos os poderes constituídos que insistem em matar em nome do capital e da manutenção de seus espaços de poder. Permaneceremos em luta contra esse governo e todos os que virão, que todos os dias mata pobres, pretos, mulheres, LGBTs e jovens rebelados.

Nos manteremos de pé e em luta até o dia da nossa morte.

Avante, todas e todos que lutam.

 

 

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